PRÉMIO DE CINEMA para FILMES SOBRE ARTE - PORTUGAL 2010

FILM AWARD for FILMS ON ART - PORTUGAL 2010

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JURY 2010:

Carlos Godinho (FBAUL), Felipe Felizardo (FBAUL), João Graça (FBAUL), Sara Valle (FBAUL), Stefania Logiudice (Temps D'Images Itália)

PARABENS - CONGRATULATIONS TO:

TEMPS D'IMAGES PRÉMIO DE CINEMA para FILMES SOBRE ARTE - o melhor filme (2000 €)
GOOD MORNING de Krzysztof Olszowiec, Polónia 2009


TEMPS D'IMAGES PRÉMIO DE CINEMA para FILMES SOBRE ARTE - o melhor filme Português (1500 €)
PELAS SOMBRAS de Catarina Mourão, Portugal 2010


TEMPS D'IMAGES PRÉMIO DE CINEMA para o filme que reflicta a importância das artes na sociedade da forma mais original (1500 €)
DON'T KNOW WE'LL SEE de Lucy Massie Phenix, EUA 2008


TEMPS D'IMAGES PRÉMIO DE CINEMA para FILMES SOBRE ARTE - Menção Honrosa
ALL RESTRICTIONS END de Reza Haeri, Irão 2009


TEMPS D'IMAGES PRÉMIO DE CINEMA para FILMES SOBRE ARTE - Menção Honrosa
SHELOMO SELINGER - MEMOIRE DE PIERRE de Alain Bellaiche, Canadá 2010

 

 

PERFORMANCE "HOOT" by Colette Urban, Canada




download catalogue 2010 (pdf 25 mb)


     

2010
(For English please scroll down)

COMUNICADO DE IMPRENSA
Outubro de 2010
PRÉMIO TEMPS D'IMAGES para FILMES SOBRE ARTE



VIVER COM INCERTEZAS

Don’t Know We’ll See (“Não Sabemos Vamos Ver”), o título do filme de Lucy Massie Phenyx, é provavelmente a melhor maneira de descrever os poderosos temas que são abordados nos filmes sobre a arte. A selecção de filmes deste ano - que em si já é um manifesto artístico - vai levar-nos, por caminhos variados e muitas vezes contraditórios, até esta incerta e entusiasmante área em construção, onde o espectador poderá se instalar e onde será convidado a conhecer visões do mundo pouco habituais, comportamentos inesperados, ideias esquecidas, experiências arriscadas, ideias exaltantes e pensamentos estranhos, ao descobrir mundos novos e paralelos. Ao terem a experiência destes terrenos onde se situam os artistas - soltos, não fixos, sempre a mudar - e ao verem como se pode viver e criar neste contexto, os espectadores talvez se sintam mais fortes diante das incertezas da vida diária e profissional, que nos habituámos a delegar a companhias de seguro, especialistas ou líderes…

A começar pela imagem chocante de que os domínios do trabalho humano foram conquistados pelas máquinas, como se pode ver em HandMaid, do sul-coreano Mo Hyun-shin, todos os filmes vão provar que o trabalho artístico não consiste em calcular e, que por conseguinte, não pode ser substituído pela tecnologia. Como o realizador polaco Krzystof Olszowiec demonstra em Good Morning, parece, na verdade, impossível perceber o comportamento ou a acção de um artista unicamente pela observação: afinal, vimos um ser um humano ou um extra-terreste? As mesmas ideias nos vêm à mente quando entramos nos universos únicos de artistas como a portuguesa Ana Jotta em Jotta:A minha maladresse é uma forma de délicatesse , de Salomé Lamas e Francisco Moreira ou a pintora canadiana Sullivan, em Sullivan, de Françoise Dugré. Alguns artistas permitem-nos perceber melhor as suas próprias explicações, como o fazem de modo tão belo Roca Bon em Roca Bon: la geometria del alma, do espanhol Karlos Alastruey, o escultor Selinger em Shelomo Selinger - Mémoire de Pierre, do realizador canadiano Alain Bellaiche ou o artista português Ângelo de Sousa em Ângelo de Sousa: Tudo o que Sou Capaz, de Jorge Silva Melo.

Às vezes, a relação entre o artista retratado e o realizador do filme é tão intensa que o realizador consegue revelar aspectos e reacções dos artistas que, sem ele, nenhum observador anónimo poderia descobrir. É o que se passa no audacioso filme sobre o audacioso Botero, Botero - Born in Medellin, de Peter Schamoni; no filme esteticamente belíssimo sobre as esteticamente belíssimas esculturas do artista israelita Zvi Lachmann em Rak Be’ayin a’hat (“Com um olho bem aberto”), de Aner Preminger e Ami Drozd; quando Iria Arriaga observa com afecto e respeito, mas sempre como quem está diante de um descobridor, em Jorge de Oliveira - Matéria de Pintura; ou quando os aspectos formais do filme condizem com os da obra de arte, como em Sem Título, de Ana Direito.

A maneira como a arte é praticada também revela muito sobre o enfoque do artista, por exemplo na experiência Mercado do Bolhão: uma experiência fotográfica para uma Imagem de Autoria Colectiva, de Cristina Braga, em Dissonanz, de Fumiko Matsuyama e em A Conversation With Myself, quando Kate Pelling realmente executa a criação de uma performance de vídeo, deixando-nos com as dúvidas que ela própria tem… Com o filme sobre a sua performance, Thistles of Sazak, Hakan Akçura não nos dá sequer hipótese de escapar - o seu pesado trabalho para uma performance sob o ardente sol da Turquia é tangível.

A vida humana é absolutamente impensável sem a arte e temos aqui alguns exemplos em que a vida e a arte foram inseparavelmente ligadas: o realizador venezuelano Juan Andrea Bello fala-nos de um casal de Caracas, Armando Planchart e Ana Luisa (Anala), apreciadores de arte e arquitectura moderna, que levaram a cabo o seu audaz projecto de vida em colaboração com o arquitecto italiano Gio Ponti, numa casa chamada El Cerrito. De modo oposto, Le Cabanon pour Le Corbusier, de Rax Rinnekangas, mostra-nos a visão da vida que tinha o célebre arquitecto - mas o espectador vai ficar certamente muito surpreendido com o resultado… No que refere o génio excêntrico e criativo Trimpin, que detesta totalmente o mundo da arte, mas é adorado por artistas e músicos de todo o mundo, o realizador Peter Esmonde, em Trimpin: the Sound of Invention, consegue entusiasmar-nos ao apresentar-nos as esplêndidas criações desta personalidade tão instrutiva. Em Pelas Sombras, Catarina Mourão mostra a que ponto 80 anos de vida ou de arte são inseparáveis, quando a arte de Lourdes Castro se torna idêntica aos gestos da sua vida diária e vice-versa. E depois de vermos When The Themersons Walked Backwards, no entusiasmante filme de Wiktoria Szymanska, vamos certamente perceber que o grau de poesia que pode haver nas nossas vidas só depende de nós…

A arte em relação à sociedade tem várias facetas. Uma faceta especial é mostrada no comovente Or les Murs, de Julien Sallé, que nos conta a história do compositor Thierry Machuel, que organiza workshops de escrita na penitenciária de Clairvaux, na região de Champagne-Ardennes. Os textos dos reclusos serão usados posteriormente nas suas composições, mas antes disto vemos homens numa prisão, que vivem, criam e sentem… Reza Haeri detecta no seu filme All Restrictions End o código secreto e/ou oficial da moda das vestimentas através na História iraniana, tornando mais uma vez evidente que a arte tem mais influência do que algumas pessoas são capazes de reparar. Em Mies-en-scène, João O. também tenta revelar uma verdade, que ele pensa estar por detrás do Pavilhão Alemão, projectado por Mies van der Rohe para a Exposição Internacional de Barcelona de 1929 e leva-nos a uma ousada visita de descoberta. Na sua curta-metragem de animação flesh color, Masahiko Adachi revela simplesmente a beleza das tatuagens japonesas, de modo análogo ao que faz María Trénor em Exlibris, ao criar um poema visual sobre os livros como objectos de arte. Simon Jackson considera as suas duas curtas-metragens sobre artistas e músicos, Landlocked e Buddha, como “um comentário sobre o acto de criar arte a partir daquilo que nos cerca, ao invés de considerar que a arte só é importante se grandes passos forem dados e grandes distâncias forem atravessadas”. Sim e como naquilo que nos cerca tudo espera por ser descoberto, veja-se como o vídeo-flâneur Konstantinos-Antonios Goutos, em After Caspar David Friederich, mostra-nos como a arte começa: com o olhar e o deslumbramento.

Se, como escrevi no começo deste texto, a incerteza, ao entrarmos em territórios desconhecidos, é o terreno da criação artística, também é evidente que há vários obstáculos a ser vencidos. Como diz a artista inuit Shuvinai Ashoona, “tudo é um ruído fantasma… É bom ouvi-los, mas não é bom aprendê-los” - a maneira como ela lida com isto pode ser vista na sensibilidade que marca Ghost Noise, de Marcia Connollu. Ao mesmo tempo, a própria arte traz um grau de estabilidade a esta incerteza, seja como protecção, como quando a artista Colette Urban pede-nos que finjamos que não a vemos, em Pretend not to See Me, no filme de Katherine Knight, ou no extraordinário projecto do carismático Lluís Gàrcia, que nos seus workshops de pintura para pacientes esquizofrénicos faz com que os milagres sejam possíveis - como se vê no entusiasmante Retras (“Retratos”) de Quim Fuster e Pau Itarte, no qual ele faz penetrantes revelações sobre a psicologia humana. Vemos de modo muito pessoal e profundo a que ponto os factores psicológicos influenciam e inclusive inibem os espectadores das obras de arte, em Ein Weites Feld (“Territórios em Expansão”), da alemã Gerburg Rohde-Dahl, que envolveu a sua história pessoal e a da sua família ao tentar abordar o controverso Memorial para os Judeus Assassinados na Europa, em Berlim. Aqueles que pensam que esta questão é puramente alemã ver-se-ão diante de importantes reflexões sobre o sentido, as possibilidades e o significado dos memoriais de modo geral e é evidente que este em particular interpela todos os cidadãos do mundo. E podemos afirmar com absoluta certeza que mais ninguém consegue escapar ao que se passa no jogo de poder criado por Liliane Lijn em Power Game. Aqui cada um representa a sociedade humana e as convicções se tornam transparentes: este é o nosso espelho.

Não Sabemos Vamos Ver.

Rajele Jain
Outubro de 2010-10-05

 

Ha-n yoe (HandMaid)
Hyun-shin Mo
Coreia do Sul 2010, 4’

As mãos usadas para o sagrado valor do trabalho agora só existem enquanto mito. As mãos que cortam couro repetem o ciclo sacrificial da submissão a seres racionais. A essência de uma mão reside no fato de fazer acções, muito mais do que outras partes do corpo humano, como o rosto. A natureza das mãos se assemelha à de alguém que fosse uma criada nata.

Hands, which used to mediate the value of sacred labor, now exist in myth only. The hands cutting out leather repeat the sacrificial cycle of being subjected to rational beings. A hand's essence lies in making actions, more so than any other human organs such as face. Its nature resembles that of a natural-born maid.

Realização/Direction: Mo Hyun-shin
Fotografia/Cinematography: Lee Hyung-suk
Som/Sound: Mo Hyun-shin
Montagem/Editing: Mo Hyun-shin
Música/Music: Mo Hyun-shin
Produção/Production: Mo Hyun-shin
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All Restrictions End
Reza Haeri
Irão 2009, 35'

Este é um documentário experimental, que aborda a História contemporânea do Irão, através da evolução das roupas e da moda. A estrutura deste filme de forma livre e que provoca a reflexão, é uma colagem em que são usados material cinematográfico iraniano de arquivo, imagens de vários períodos da pintura persa e gráficos do período da revolução islâmica, além de trabalhos fornecidos por vários artistas.

"All Restrictions End" is an experimental documentary dealing with contemporary Iranian history, focusing on the evolution of clothes and fashion. The structure of this thought-provoking, free-form film is a collage, using archival footage from Iranian cinema, imagery from various stylistic epochs in the history of Persian painting, and graphics from the period of the Islamic Revolution, and works provided by various artists.

Realização/Direction: Reza Haeri
Fotografia/Cinematography: Mostafa Ghaheri
Som/Sound: Reza Haeri
Montagem/Editing: Reza Haeri
Música/Music: Shida Gharechedaghi
Produção/Productin: Reza Haeri and Bani Khoshnoudi for Pensee Sauvage Films
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Sullivan
Françoise Dugré
Canadá 2010, 38'

A escultura, pintora, dançarina e coreógrafa Françoise Sullivan, que foi uma das signatárias do manifesto Recusa Global em 1948, foi filmada no seu estúdio em Ponte-Saint-Charles durante o inverno e a primavera de 2009. Esta artista multifacetada pratica a sua profissão há sessenta anos e não parece disposta a parar. A câmara capta-a a trabalhar, apresentando um mundo de texturas, cores, pincéis e sobretudo gestos, repetidos milhares de vezes. Ao longo do filme, temos também reflexões de Sullivan sobre a arte: as suas hesitações, comparações, silêncios, dúvidas. A chegada do músico e artista visual Robert Racine e dos dançarinos Ginette Boutin e Daniel Soulières vem animar a tranquila atmosfera do estúdio. A visita deles é ligada à coreografia de Sullivan À Tout Prendre, criada em 1980 e remontada em Toronto em Fevereiro de 2010, baseada num registo em vídeo. A dança se desenrola sobre o fundo de uma tela negra. Depois, voltamos ao silêncio do estúdio. A luz torna-se mais quente à medida que o Verão se aproxima.

The sculptor, painter, dancer and choreographer Françoise Sullivan, a cosignatory of the Refus global manifesto of 1948, was filmed in her studio in Pointe-Saint-Charles during the winter and spring of 2009. The multifaceted artist has practised her profession for sixty years, and shows no signs of letting up. The camera captures her at work, presenting a world of textures, colours, brushes - and especially the gestures repeated a thousand times. Sullivan's reflections on her art are interspersed throughout the film: her hesitations, comparisons, silences, questionings. The arrival of musician and visual artist Rober Racine and dancers Ginette Boutin and Daniel Soulières liven up the peaceful atmosphere of the studio. Their visit relates to her choreography À tout prendre, created in 1980 and restaged in Toronto in February 2010, based on a video recording. The dance unfolds against a blank canvas backdrop. Then the silence of the studio returns. The light becomes warmer as summer arrives.

Realização/Direction: Françoise Dugré
Fotografia/Cinematography: Carlos Ferrand
Som/Sound: Esther Auger
Montagem/Editing: Thomy Laporte
Produção/Production: Françoise Dugré
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Good Morning
Krzysztof Olszowiec
Polónia 2009, 23'

O herói acorda de manhã. Levanta-se e vai para outro quarto, deixando a sua mulher a dormir. Dá quatro telefonemas. Para quem está realmente a telefonar? Quando a mulher vem ter com ele, o pequeno-almoço já está servido. A música torna-se silenciosa.

The hero wakes up in the morning. He get up and goes to another room, leaving his sleeping wife in the bedroom. He makes four phone calls. Who is he talking to actually? When his wife joins him, the breakfast is already on the table. The music is getting silent.

Realização/Direction: Krzysztof Olszowiec
Fotografia/Cinematography: Krzysztof Olszowiec
Som/Sound: Krzysztof Olszowiec
Montagem/Editing: Krzysztof Olszowiec
Música/Music: Krzysztof Olszowiec
Produção/Production: Krzysztof Olszowiec

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Ângelo de Sousa: Tudo O Que Sou Capaz (Ângelo de Sousa: All I Can)
Jorge Silva Melo
Portugal 2010, 60'

Um documentário sobre Ângelo de Sousa, pintor.
Ou antes um filme com Ângelo de Sousa, de tal forma estamos perto da sua colaboração? Um filme ao sabor de encontros espaçados no tempo - realizámos um primeiro encontro em Maio de 2007, a que se seguiram duas entrevistas em Setembro desse ano, duas em 10 de Maio de 2008, duas em Maio de 2009, filmámos a inauguração da exposição na Quadrado Azul em Novembro de 2009 - aproveitando apresentações públicas de obras, em que pretendemos captar a permanente fixação de um artista que insistiu na elementaridade dos meios, no abandono dos materiais nobres e dos processos complexos de criação.

Realização/Direction: Jorge Silva Melo
Fotografia/Cinematography: José Luís Carvalhosa
Som/Sound: Armanda Carvalho, Quintino Bastos
Montagem/Editing: Vitor Alves, Miguel Aguiar
Produção/Production: João Matos, Manuel João Águas for Artistas Unidos
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After Caspar David Friedrich
Konstantinos-Antonios Goutos
Alemanha 2007, 8'

a filmagem foi feita (como sempre sem propósito nem plano) com uma vulgar câmara de vídeo

sem tripé
sem movimentos de câmara
sem lentes de zoom
sem iluminação especial
sem microfone exterior
sem efeitos
 
o som e o tempo do plano são os originais
sem cortes

people (like in works of the romantic painter caspar david friedrich (1774-1840))
observe in silence
the demolition of a building in the centre of the city of leipzig
a ko.incidental documentary take, taken with a normal digital video apparatus

without tripod
without camera moves
without zooming
without special lighting
without extra microphone
without effects

the sound and the length of the shooting are the original
there is no cuts between the scene

Realização/Direction: Konstantinos-Antonios Goutos
Fotografia/Cinematography: Konstantinos-Antonios Goutos
Produção/Production: Konstantinos-Antonios Goutos
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Pelas sombras (Through Shadows)
Catarina Mourão
Portugal 2010, 83'

“Vem ver a pintura que estou a fazer. Um bocado grande, não cabe em museu nenhum. E tão pequena, tão pequenina que todos que passam por aqui nem dão por isso. Uma tela com forma esquisita. O que vale é que não é preciso esticá-la. Por si só, ela está sempre pronta a receber pinceladas, ventos, estações, chuva, sol....".
Quando eu tinha catorze anos levaram-me a ver um teatro de sombras. Chamava-se Linha do Horizonte e revelava o dia-a-dia de uma mulher, através de sombras projectadas num lençol branco. Essa experiência marcou-me profundamente. Lourdes Castro ficou conhecida como a artista que se ocupa de sombras. Passados vinte anos fui à Madeira conhecer a mulher por detrás daquela sombra. O que “ocupa” hoje Lourdes Castro?

"One day I realized it no longer made sense to make things to hang on walls...my canvas is too big to be exposed in a museum room, and sometimes so small that nobody can see it." Lourdes Castro became known as the artist "who took care of shadows". Throughout her international career as an artist Lourdes developed the concept of shadow,
giving it different forms and finally reducing it to the minimum and dematerializing it. Today, with 80 years old she lives alone in an isolated house in Madeira island. Her art has become so minimalist that it is hard to separate it from the gestures of her daily life. Lourdes worships every moment of her life, the trick is to keep breathing, she says.

Realização/Direction: Catarina Mourão
Fotografia/Cinematography: Catarina Mourão
Som/Sound: Armanda Carvalho
Montagem/Editing: Catarina Mourão
Música/Music: Chopin, Schubert
Produção/Production: Catarina Alves Costa e Patricia Faria para Laranja Azul
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flesh color
Masahiko Adachi
Japão 2010, 4'

As tatuagens japonesas são uma cultura muito bonita e muito tradicional.
Ao usar tatuagens japonesas, representei a beleza da pele de um ser humano, a “cor da pele” na animação.

Japanese tattoo is very beautiful and very traditional culture.
By using Japanese tattoo, I represented the beauty of a human being's skin,'flesh color' in the animation.

Realização/Direction: Masahiko Adachi
Fotografia/Cinematography: Masahiko Adachi
Som/Sound: Natsuko Yokoyama
Montagem/Editing: Masahiko Adachi
Música/Music: Natsuko Yokoyama
Produção/Production: Masahiko Adachi

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Botero - Born in Medellin
Peter Schamoni
Germany 2009, 90'

"Despite the fact that Botero and I are the same age and have been friends for 40 years, in the beginning of the film, he responded to my questions in a rather aggressive manner. Therefore, I tried to make him understand that he didn’t have to give academic explanations; he only needed to speak to the camera as if it were a friend, or better yet, as a woman with whom he had a good sexual relationship. This is how we managed to achieve the best effects on the screen." Peter Schamoni

Realização/Direction: Peter Schamoni
Fotografia/Cinematography: Ernst e Konrad Hirsch
Som/Sound: Jörg Sieber
Montagem/Editing: Carsten Dillhöfer, Sabine Rottmann
Música/Music supervisor: Sebastian Schnitzenbaumer
Produção/Production: Peter Schamoni

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Mercado do Bolhão: uma experiência fotográfica para uma Imagem de Autoria Colectiva
(Bolhão Market: a photographic experiment for an Image of Collective Authorship)
Cristina Braga
Portugal 2010, 14'

Mercado do Bolhão should be seen as a short documentary film about Image of Collective Authorship. It results of a two years investigation in the Master of Image Design, in the Fine Arts School, Faculty of Porto. We apply a photographic experiment to a concrete spatial context: the Bolhão Market in Porto. We work with the marketplace traders from the perspective of image design in a way that tests the concept of authorship. This experiment seeks to question the single author as an image creator. This interaction gives rise to a collection of 60 Polaroid photographs - and respective documentation of the process - which are entirely produced/created by the traders. The whole investigation brings into question the limits and possibilities for an Image of Collective Authorship.

Realização/Direction: Cristina Braga
Fotografia/Cinematography: Cristina Braga
Montagem/Editing: Cristina Braga, Helena Borges
Produção/Production: Cristina Braga

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Roca Bon: la geometría del alma (Roca Bon: Geometry of the Soul)
Karlos Alastruey
Espanha 2010, 75'

Este filme é o resultado de sete anos de investigações filmadas sobre o pintor espanhol Roca Bon e o seu trabalho. Roca Bon passou por períodos muito diferentes como pintor. Exploramos estes períodos em companhia dele, dando especial importância à geometria, como principal elemento de inspiração e estrutura de todas as suas criações.
Roca Bon viveu muitos anos no estrangeiro, a pintar e a investigar a natureza e os espaços urbanos para completar as suas pinturas. Um dos lugares onde viveu foi Nova Iorque. Roca Bon explica a sua visão desta cidade como um lugar para o intercâmbio artístico e a investigação, assim como as consequências de movimentos como o Expressionismo Abstracto e o Pop Art.
Outros temas abordados no filme são a sua filosofia artística, a essência do trabalho de um pintor e as tendências do futuro em diversas artes.

This film is the result of seven years of filmed investigations about the Spanish painter Roca Bon and his work. Roca Bon went through quite different stages in his evolution as a painter. We explore with him these stages, giving special importance to the Geometry, as the most important element inspiring and giving support to all his creations.
Roca Bon spent many years abroad, painting and investigating nature and urban places to complete his works. One of those places was New York City. Roca Bon explains his vision of that city as a center for art exchange and investigation, as well as the consequences of movements such as Abstract Expressionism and Pop Art.
Other subjects dealt with in the film are his philosophy about arts, the essence of a painter's work, and the future trends in different arts.

Realização/Direction: Karlos Alastruey
Fotografia/Cinematography: Monica Arevalo
Som/Sound: German Ormaechea
Montagem/Editing: Karlos Alastruey
Música/Music: Dan Anies
Produção/Production: Erroibar Films
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SEM TÍTULO (Untitled)
Ana Direito
Portugal 2010, 12'

O filme observa os processos criativos de Fernando Direito, artista cuja obra se centra na pintura.
Acompanhando desde o início o desenvolvimento de uma tela e sem sair do espaço do seu atelier, a câmara regista os ambientes que constroem a intimidade de um território e as técnicas que o revelam, dissolvendo em imagem e sintetizando em cerca de 11 minutos a solidão de um processo criativo. A fusão da própria pintura nela mesma.
As tinas de água, brincadeira de criança... uma filha que observa o pai, cuja obra, nesse momento de exposição sensivel, naturalmente aceite, medeia o registo da relação entre ambos realizando a ideia.

Realização/Direction: Ana Direito
Fotografia/Cinematography:
Som/Sound: Ricardo Costa
Montagem/Editing: Carlos Gomes
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Trimpin: The Sound Of Invention
Peter Esmonde
EUA 2008 - 2009, 79'

Trimpin: The Sound of Invention é um divertido percurso através do mundo sonoro de um génio criativo e excêntrico.
Artista, inventor, engenheiro e compositor, Trimpin detesta o mundo da arte comercial, mas as suas extraordinárias esculturas e as suas extravagantes experiências musicais são adoradas por artistas e músicos de todo o planeta.
Este documentário de longa-metragem acompanha o artista a desenhar uma máquina que faz um movimento perpétuo, a construir uma torre de vinte metros feita com guitarras eléctricas e a colaborar com o Quarteto Kronos, na estreia mundial de uma peça que utiliza instrumentos de brinquedo.
O filme encantará qualquer pessoa interessada nos mistérios, armadilhas e puras alegrias da experiência criativa.

TRIMPIN: THE SOUND OF INVENTION is an amusing journey through the sonic world of an eccentric creative genius. Artist/inventor/engineer/composer Trimpin detests the commercial art world - yet his extraordinary sculptures and outrageous musical experiments are cherished by artists and musicians all over the planet.
This documentary feature follows the artist as he designs a perpetual motion machine, builds a 60-foot tower of automatic electric guitars, and collaborates with the Kronos Quartet on a world premiere using toy instruments.
The film will delight anyone interested in the mysteries, pitfalls, and sheer joys of creative experiment.

Realização/Direction: Peter Esmonde
Fotografia/Cinematography: Peter Esmonde, Gabriel Miller, Nick Doob
Som/Sound: Philip Perkins, c.a.s.
Montagem/Editing: Rick Tejada-Flores
Música/Music: Trimpin, Conlon Nancarrow
Produção/Production: Peter Esmonde
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Ghost Noise
Marcia Connolly
Canadá 2010, 23'

“Não me limito a desenhar a superfície da paisagem.
Sinto que capto a respiração e a alma da terra”.

Ghost Noise leva o espectador a um espaço íntimo, no qual a artista inuit Shuvinai Ashoona cria os seus desenhos evocadores. As suas representações fantásticas da coexistência entre as suas vidas interior e exterior criam uma atmosfera quase mágica. Ghost Noise celebra a inteligência, a malícia e a poesia absolutas de Shuvinai Ashoona.

“Tudo é um ruído fantasma… É bom ouvi-los, mas não é bom aprendê-los”.

"I do not draw simply the surface of the landscape.
I feel I am capturing the breath and soul of the earth."

Ghost Noise pulls the viewer into the intimate space in which Inuit artist Shuvinai Ashoona creates her evocative drawings. Her fantastical representations of her co-existing interior and exterior northern lives create a magical, almost state for the viewer. Ghost Noise celebrates the absolute intelligence, mischief and poetry of Shuvinai Ashoona.

"Everything's a ghost noise... It's good to listen to them but it's not good to learn it."

Realização/Direction: Marcia Connolly
Fotografia/Cinematography: Marcia Connolly, John Price
Som/Sound: Paul Germann
Montagem/Editing: Avril Jacobson
Música/Music: Years, Chad VanGaalen, Justin Small, Ohad Benchetrit
Produção/Production: Marcia Connolly

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Ein Weites Feld (Expansive Grounds)
Gerburg Rohde-Dahl
Alemanha 2008, 67'

A realizadora discute a sua identidade enquanto Alemã, causada pelo Memorial dos Judeus Assassinados na Europa, em Berlim.
Entre Setembro de 2003 e o Outono de 2007, a realizadora acompanhou o Memorial dos Judeus Assassinados na Europa, no centro de Berlim, com a sua câmara, desde a colocação das primeiras lajes até dois anos depois da abertura do memorial ao público. Durante estes quatro anos, lidou com a arquitectura do memorial e com o impacto do Holocausto na sua vida. Em diversas entrevistas, interrogou os visitantes do memorial sobre os seus sentimentos e a sua resposta emocional.
Ao mesmo tempo, regressou à lembrança da infância muito feliz que viveu entre 1940 e 1945 na Polónia ocupada. Ela nasceu em 1938. Depois da guerra, soube da existência do campo de concentração de Stutthof, a apenas 50 quilómetros do sítio onde passara a infância. O horror infiltrou-se na lembrança da sua felicidade.
Conversou com a sua irmã, doze anos mais velha do que ela, sobre as suas lembranças e sobre o pai de ambas, que era um membro entusiasta do Partido Nazi. Também entrevistou Peter Eisenman, o arquitecto do memorial e Lea Rosh, de quem partiu a iniciativa de construí-lo.
No âmago do filme está o processo interior da realizadora, iniciado pelo Memorial. Os seus sentimentos de culpa, as suas convicções no período de 1968 e a sua atitude actual se reflectem neste processo.

The filmmaker's discussion about her identity as German caused by the Berlin Memorial to the Murdered Jews of Europe.
From September 2003 to the fall of 2007 the filmmaker accompanied the Memorial to the Murdered Jews of Europe in the centre of Berlin with her camera, from the installment of the first slabs until two years after the opening of the memorial to the public. During these four years she dealt with the architecture of the memorial as well as with the impact of the Holocaust in her life. In many interviews she asked visitors of the memorial about their own feelings and their emotional response.
Simultaneously she went back in her memory of her very happy childhood which she spent during the years 1940 - 1945 in occupied Poland. She was born in 1938. After the war she learned about the existence of the Concentration-Camp Stutthof just 50 kilometers from where she spent her childhood. The horror infiltrated the memory of her happiness.
She talked with her sister, who is 12 years older than herself, about her memories and about their father, who was an enthusiastic Nazi-Party member. In addition she interviewed Peter Eisenman, the architect, and Lea Rosh, the initiator of the memorial.
The core of her film is her inner process initiated by the Memorial. Her feelings of guilt as well as her convictions during the 1968 era and her attitude today are reflected in this process.

Realização/Direction: Gerburg Rohde-Dahl
Fotografia/Cinematography: Gerburg Rohde-Dahl, Alexander du Prel, Andreas Gockel
Som/Sound: Gerburg Rohde-Dahl, Boros Joens
Montagem/Editing: Gerburg Rohde-Dahl, Margot Neubert-Maric
Produção/Production: Rohde-Dahl Filmproduktion
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A Conversation With Myself
Kate Pelling
UK 2010, 9'

A Conversation With Myself explora o processo de improvisar uma vídeo-performance. O filme aborda a relação entre o performer e a câmara, as expectativas do público e a diferença entre a realidade e o performativo. A peça expõe narrativas incidentais inerentes ao processo de fazer uma performance para a câmara e mostra que o processo de montagem é uma ferramenta brutal mas necessária para dar sentido à performance.

"A Conversation With Myself" explores the process of making improvised video performance. The film considers the relationship between the performer and the camera, the expectations of the audience and the distinction between reality and the performative. The piece exposes incidental narratives inherent within the process of performing to camera and shows the video editing process as a brutal but necessary tool for of making sense of the performance.

Realização/Direction: Kate Pelling
Fotografia/Cinematography: Kate Pelling
Montagem/Editing: Kate Pelling
Produção/Production: Kate Pelling
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Dissonanz (Dissonance)
Fumiko Matsuyama
Alemanha 2010, 1'

Nós, quatro mulheres, fizemos uma exposição de grupo intitulada “Resonanz 2000” no Museu Verborgene, em Berlim. Este vídeo slapstick foi feito originalmente para a exposição, como a nossa apresentação. Tinha mais de quatro minutos de duração e foi a minha última montagem analógica.
Recentemente, encurtei drasticamente o material e remontei-o no computador. A nova versão tem um efeito algo nostálgico…

We, four women, held a group exhibition "Resonanz" 2000 in the Verborgene Museum in Berlin. This slapstickvideo was made originally for this exhibition as our introduction. It was longer than four minutes and my last analog editing.
Recently I made the material drastic shorter and edited it new with the computer. This new version works somehow nostalgic...

Realização/Direction: Fumiko Matsuyama
Fotografia/Cinematography: Fumiko Matsuyama
Montagem/Editing: Fumiko Matsuyama
Produção/Production: Fumiko Matsuyama

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JOTTA: A minha maladresse é uma forma de delicatesse (JOTTA: My maladresse is a way of delicatesse)
Salomé Lamas e Francisco Moreira
Portugal 2009, 70'

How to represent an artistic intention without reducing it to a description?
A documental laboratory of reflexive limits.

Realização/Direction: Salomé Lamas, Francisco Moreira
Fotografia/Cinematography: Salomé Lamas, Francisco Moreira
Som/Sound: Salomé Lamas, Francisco Moreira
Montagem/Editing: Salomé Lamas, Francisco Moreira
Produção/Production: Terratreme Films
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Mies-en-scène
João O.
Portugal 2010, 26'

Every building tells a story. Yet, only a few stories earn the right to posterity. Thence, when it happens, history becomes potentially a contestable place.
The German Pavilion designed by Mies van der Rohe for the Barcelona International Exposition in 1929 is an example of this phenomenon. The turmoil from design to its dismantlement became a contested narrative by many scholars of the field. Then, one day, the canon took the unexpected turn: they carried out the reconstruction of the pavilion in 1986, causing a controversy in the architectural milieu. Some hailed its remarkable interpretation, while others bemoaned the destruction of the photographic aura from architectural history. Since then, there is dispute among scholars with regard to the reincarnated yet highly ambiguous structure of the Modern Movement.
This film, titled Mies-en-scène, is inspired by the multiplicity of readings - including my own. First, they were translated into a sequence of moving images. Then, these moving images were deployed in the film by a process of delirious associations. Subsequently, they became strategic variables within a chronological timeline, thus activating a dialogue with history. In short, the cinematic framework reiterates a contemporary interpretation of the structure, nowadays called the "Barcelona Pavilion".
Confronted with a labyrinthine ad nauseam case, i.e. the ever expanding viewpoints and conflicting interpretations manifested by scholars, I felt that there was still an untold story. A story that is not described anywhere; let alone the pamphlet that is at your disposal when you enter the roofed space of the pavilion.
This story may well be the antidote I was looking for. It seems to be hiding behind the holes of the travertine stone walls. And if you are attentive enough, it may secretly whisper to you. Or is it just the wind tunnel effect? I am drawn to auscultate this unheard voice and listen to this inner sound, for there laid the infra-story yet to be unraveled.
In the end, the film formulates a fictional narrative where truth, artifice and memory are all intertwined, suggestive of the way in which reality and fiction are shaping our experience of contemporary art, life, architecture, and after all, history.

Realização/Direction: João O.
Fotografia/Cinematography: João O.
Montagem/Editing: João O.
Produção/Production: João O.
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Exlibris
María Trénor
Spain 2009, 14'

Exlibris é um poema visual que presta homenagem aos livros enquanto objectos de arte, através de um único exemplar de Dom Quixote.

Exlibris is a visual poem which pays tribute to books as pieces of art, through a single copy of "Don Quixote."

Realização/Direction: María Trénor
Fotografia/Cinematography: Jordi Pla
Som/Sound: Paco Casted
Montagem/Editing: Josep Bedmar
Música/Music: Paco Casted, María Trénor, David Alarcón
Produção/Production: Clara Trénor
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Le Cabanon par Le Corbusier
Rax Rinnekangas
Finlândia 2010, 60'

Um filme sobre Le Corbusier e a cabana à Thoreau que ele criou em 45 minutos, como prenda de aniversário para a sua mulher Yvonne, em Dezembro de 1951. A cabana de madeira de 16 m2 - nas colinas de Roquebrunne-Cap Martin, na Riviera francesa - é um modelo para um modo de vida minimalista. O filme conta a história do Cabanon e o destino do arquitecto neste lar paradisíaco.

A film about Le Corbusier and his Thoreau-like hut he created in 45 minutes as a birthday present for his wife Yvonne in December 1951. The wooden hut of 16 m2 - situated in the hillside of Roquebrune-Cap-Martin in French Riviera - was to serve as a model for minimal living. The film tells the story of Le Cabanon anf the fate of the architect in his paradise hut home.

Realização/Direction: Rax Rinnekangas
Fotografia/Cinematography: Rax Rinnekangas
Som/Sound: Heikki Innanen
Montagem/Editing: Jari Innanen
Música/Music: Heikki Nikula, Boris Koneczny
Produção/Production: Bad Taste Ltd

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Landlocked
Simon Jackson e Ali Hayes
Escócia, UK 2010, 2'

Uma colaboração entre um artista, Ali Hayes, um poeta/cineasta, Simon Jackson, e três músicos. Animação em stop motion. Num bar de onde não podem sair, três marinheiros sem vocação revivem as suas aventuras. Um comentário sobre o acto de criar arte a partir daquilo que nos cerca, ao invés de considerar que a arte só é importante se grandes passos forem dados e grandes distâncias forem atravessadas.

A collaboration between an artist, Ali Hayes, a poet/filmmaker, Simon Jackson, and three musicians. Stop motion animation. Three un-seaworthy sailors relive their adventures while trapped in a bar. A comment on creating art from what is around you, rather than believing it is only important if huge steps are taken and distances covered.

Realização/Direction: Simon Jackson, Ali Hayes
Fotografia/Cinematography: Ali Hayes
Som/Sound: Simon Jackson
Montagem/Editing: Simon Jackson
Música/Music: Simon Jackson, Ali Hayes
Produção/Production: Torpedo Buoy Films

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Shelomo Selinger - Memoire de Pierre
Alain Bellaiche
Canadá 2010, 77'

Nascido na Polónia, o escultor Shelomo Selinger renasceu aos 17 anos com amnésia, sem passado. Depois da guerra, recuperou a memória e teve uma vida plena. Todas as manhãs, vai sem demora para o seu atelier e começa a martelar pedra ou madeira. Como um metrónomo, o som ecoa pelo pátio do atelier, às vezes acompanhado pelo seu vizinho pianista. Neste filme seguimos Shelomo Selinger na sua vida diária. Ele fala-nos do seu passado e da relação profunda que tem com os materiais com os quais trabalha. Os seus amigos e a sua família ajudam-nos a traçar um retrato deste homem que é uma força da natureza, decidido, comovente, a transbordar de luz e a celebrar ferozmente a vida.

Polish born sculptor Shelomo Selinger was reborn at age 17 with amnesia, without a past. Since the war he has recovered his memory and led a full and vital existence. Each morning he hurries out to his studio to begin hammering stone or wood. Like a metronome the sound echoes throughout his atelier's courtyard, sometimes accompanied by his neighbor the pianist. In this film we follow Shelomo Selinger in his daily life. He reveals his past and the depth of his relationship with the materials he works with. His friends and family help us draw a portrait of this man, a force of nature, determined, touching, overflowing with light, ferociously celebrating life.

Realização/Direction: Alain Bellaiche
Fotografia/Cinematography: Alain Bellaiche
Som/Sound: Alain Bellaiche
Montagem/Editing: André Roussil
Música/Music: Frederic Chopin performed by Mikhail Rudy
Produção/Production: Berith Films

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Buddha
Simon Jackson
Escócia, Grã-Bretanha 2010, 2'

Uma colaboração entre o poeta Brian McCabe, o cantor folk Donals McLeish e o artista/cineasta Simon Jackson. O Buda de Edimburgo está sentado a uma porta, com uma lata na mão, a pensar nos acontecimentos que o levaram a este sítio e na sua impotência em mudar o que quer que seja. O riso e o álcool são o seu escudo.

A collaboration between a poet, Brian McCabe, a folk singer, Donald McLeish and an artist/filmmaker, Simon Jackson. The Buddha of Edinburgh sits in a doorway, can in hand, his mind replaying the events that have led him to this place and his impotence to change anything. Laughter and alcohol are his shield.

Realização/Direction: Simon Jackson
Fotografia/Cinematography: Simon Jackson
Som/Sound: Simon Jackson
Montagem/Editing: Simon Jackson
Música/Music: Simon Jackson, Donald McLeish
Produção/Production: Torpedo Buoy Films
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POWER GAME
Liliane Lijn
Grã-Bretanha 2010, 30'

Power Game foi originalmente filmado em 1974 para documentar uma transmissão em directo da performance inicial, feita durante o Festival para a Libertação do Chile, no Royal College of Art, em Londres. Concebido como uma versão alterada do jogo de cartas Chemin de Fer, com um baralho de cartas que contém palavras, inventado por Lijn, Power Game aborda o poder das palavras e como as pessoas interpretam os seus sentidos segundo os seus interesses e preconceitos. Ao pôr um espelho diante da democracia, é ao mesmo tempo um jogo e uma performance altamente visual e não ensaiada, que investiga as políticas da identidade e do poder. Power Game (2010) documenta ao mesmo tempo a performance de 1974 e o Power Game feito no ICA de Londres em 28 de Julho de 2009, fazendo contrastar as duas performances para tentar unir momentos separados no tempo.

Power Game was originally taped in 1974 to document and provide a live broadcast of the initial performance, staged during the Festival for Chilean Liberation at the Royal College of Art in London. Played as an altered game of Chemin de Fer, using a pack of word cards Lijn invented, Power Game is concerned with the power of words and how people interpret meaning depending on their interests and preconceptions. Holding a mirror to democracy, it is both a game and a highly visual, unrehearsed performance, which investigates the politics of identity and power. Power Game (2010) documents both the 1974 performance and Power Game staged at the ICA in London on the 28th of July 2009, contrasting the two performances in an attempt to connect separate moments in time.

Realização/Direction: Liliane Lijn
Fotografia/Cinematography: Richard Wilding, Jonathan Clabbum, Amy, Rob Morgan
Som/Sound: Steve Hendricks
Montagem/Editing: Karen Lobban
Música/Music: Steve Hendricks, Lightin' Hopkins
Produção/Production: Whiteline Productions
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Or Les Murs (Still Times)
Julien Sallé
França 2009, 58'

Em 2008, o compositor Thierry Machuel foi regularmente à penitenciária de Clairvaux, na região de Champagne-Ardennes, para fazer workshops de escrita com reclusos que quiseram participar desta experiência. Estes textos serão o libreto de uma futura composição. À medida que as palavras emergem, a sua música toma forma e podemos ver mais de perto a penitenciária de Clairvaux, onde, através dos séculos, a imutável marca da prisão gravou-se na matéria, nos corpos e nos seres. E em meio a tudo isto, há homens que revelam quem são, que vivem, criam, sentem.

During 2008, composer Thierry Machuel goes regularly to the penitentiary of Clairvaux in Champagne Ardenne, to carry out, with voluntary inmates, writing workshops. These texts will be used as booklet for his forthcoming composition. As the words emerge, his music takes form and we get to take a closer look at this location, Clairvaux, where, throughout the centuries, the immutable mark of imprisonment is printed on the matter, the bodies and beings. And amidst all that, men are revealing themselves, living, creating, feeling.

Realização/Direction: Julien Sallé
Fotografia/Cinematography: Julien Sallé
Montagem/Editing: Elodi Broilliard, Julien Ho Kim
Produção/Production: Red Star Cinema
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Jorge de Oliveira - Matéria de Pintura (Jorge de Oliveira - Painting Matter)
Iria Arriaga
Portugal 2009 - 2010, 40'

Este filme documentário é uma síntese do percurso de vida e obra do Pintor Jorge de Oliveira, na sua forma de estar, independente e tenaz.
Pertence à geração dos pintores modernos, emergente nos anos 40, em Portugal. O seu percurso artístico atravessa várias correntes, como o Neorealismo, o Surrealismo e a Abstração. Do seu "Automatismo Psíquico" ao encontro do "Cosmos", o filme é um testemunho da procura de um artista pela sua verdade. Obra e Autor, inacreditavelmente desconhecidos do grande público, são reencontrados.
Jorge de Oliveira revela um trabalho persistente, onde o prazer da descoberta é o mesmo prazer do experimentar e do existir.

Realização/Direction: Iria Arriaga
Fotografia/Cinematography: Iria Arriaga
Som/Sound: Tiago Inuit
Montagem/Editing: Iria Arriaga
Música/Music: Tiago Inuit
Produção/Production: Iria Arriaga
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RAK BE'AYIN A'HAT (One Eye Wide Open)
Aner Preminger e Ami Drozd
Israel 2009, 52'

O filme segue o artista israelita Zvi Lachman durante o decénio 1998-2008. As esculturas de Lachman e os seus desenhos a carvão envolvem processos de acumulação, adição, subtracção e apagamento. A arte de Lachman é moldada pela tensão entre uma visão do mundo progressista e laica e as raízes religiosas da cultura; entre Israel e a identidade judaica; entre uma consciência universal e internacional e as exigências de uma identidade local. O crítico americano Geoffrey Hartman descreve Lachman como “um dos melhores, senão o melhor, dos escultores actualmente em actividade em Israel” (NY Arts).

The film follows Israeli Artist Zvi Lachman, during the decade 1998-2008. Lachman's sculptures and charcoal drawings involve processes of accumulation, addition, subtraction and erasure. Lachman's art is shaped by the tension between a liberal, secular worldview and between the religious roots of culture; between Israeli and Jewish identity; between a universal and international consciousness and the demands of a local identity. American critic Geoffrey Hartman describes Lachman as "one of the best, if not the best sculptor working presently in Israel" (NY Arts).

Realização/Direction: Aner Preminger e Ami Drozd
Fotografia/Cinematography: Ronni Catzenelson
Som/Sound: Ami Drozd & Menachem Wiesenberg
Montagem/Editing: Ami Drozd
Música/Music: Menachem Wiesenberg
Produção/Production: Poreh Productions and ATS
Distribução/Distribution: JMT Films Distribution
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Thistles Of Sazak
Hakan Akçura
Suécia 2010, 42'

Sazak é uma aldeia nas montanhas, situada em Karaburun, na província de Izmir no litoral do Egeu, na Turquia. É uma das muitas aldeias gregas a terem sido evacuadas à força em 1922.
Os gregos desta aldeia e de outras na região e as uvas moscatel que eles cultivavam e produziam vinhos e melaços deliciosos, foram tratados da mesma maneira que o exército grego que invadiu Izmir. Os habitantes gregos foram levados para as angras do litoral de Karaburun, mortos e deportados e as aldeias que eles tinham sido forçados a abandonar foram pilhadas, embora eles tivessem tanto direito a estas terras quanto os que lá ficaram.
Desde então, há oitenta e sete anos, Sazak ficou desolada, solitária e não protegida, na íngreme encosta que faz frente às ilhas de Lesbos e Chios, onde ainda há casas de pedra e silhuetas únicas.
Em Agosto de 2008, cerca de cinquenta cidadãos de Patras, na Grécia, vieram a Karaburun, na província de Izmir, na Turquia. Eram netos daqueles que tinham sido forçados a deixar aquelas terras. Fizeram esta visita no âmbito das segundas Jornadas de Amizade Greco-Turca da Península de Karaburun.
Estavam a caminho da aldeia de Kucukbahce para o primeiro jantar com as pessoas da terra, a 6 de Agosto, quando o autocarro em que iam parou e eles desceram. Olharam para a aldeia de Sazak, ou Sazaki como eles a chamam, ao longe, à luz do dia que morria. O segundo jantar seria na aldeia de Sarpincik, no dia seguinte.
Quis saudá-los com uma performance na aldeia de Sazak no dia 7 de Agosto, ou seja, no mesmo dia em que teria lugar o último jantar. Alguns dias antes, afixei o anúncio da performance nas paredes da cidade e das aldeias da região:

Cardos de Sazak
Vou tentar limpar a aldeia de Sazak dos cardos, que cobrem o seu pesado espaço vazio como um véu dilacerante, da aurora ao ocaso do dia sete de Agosto de 2009.
A vossa participação na minha performance é bem-vinda.
Hakan Akçura

Sazak is a mountain village located in Karaburun, Izmir on the Aegean coast of Turkey and is just one of many Greek villages forcibly evacuated in 1922.
The Greek residents of this and surrounding villages, who once grew rosica grapes in their vineyards and produced delicious wines and molasses, were considered together with the Greek army that invaded Izmir. The Greek residents were driven to the sea at the coves around Karaburun, killed and deported and the villages they left behind were plundered, although they actually had the same rights in these lands as those who remained.
Since those times, for 87 years, Sazak remained desolate, solitary and unprotected on the steep slop facing toward the islands of Lesvos and Chios, where there are still stone houses and unique silhouettes.
In August 2008, about 50 citizens from Patras, Greece, came to Karaburun, Izmir in Turkey. They were the grandchildren of those who were forced to leave the lands which they would visit after 87 years as part of the 2nd Karaburun Peninsula Greek-Turkish Friendship Days.
As they were going to the Kucukbahce village for the first dinner to meet with the local people on the evening of August 6, their bus stopped and they got out. They looked at the village of Sazak, or Sazaki as they call it, lying far away in the falling darkness of the evening. The second dinner would be at the village of Sarpincik on the next day.
I wanted to salute them by making an art performance at the village of Sazak on August 7, i.e. on the same day as that last dinner. I posted the performance announcement on walls in the town and the surrounding villages days before:

Thistles of Sazak
I will try to clear the village of Sazak from thistles, which covers its heavy emptiness like a heartrending veil, from dawn to dusk on the Seventh of August, 2009.
Your participation is welcome at my performance.
Hakan Akçura

Realização/Direction: Hakan Akçura
Fotografia/Cinematography: Hakan Akçura, Dror Feiler, Leyla Ferngren, Gunilla Sköld Feiler
Som/Sound: Dror Feiler
Montagem/Editing: Hakan Akçura
Música/Music: Dror Feiler
Produção/Production: Open Flux
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El Cerrito
Juan Andres Bello
Venezuela 2006, 57'

Nos anos 50, Caracas era a metrópole mais próspera da América Latina. O impulso de modernização se manifestou na construção de uma nova cidade, com espaços, formas e estilos que rompiam com o passado e representavam a prosperidade económica do momento.
Neste contexto, um casal de Caracas, Armando Planchart e a sua mulher Ana Luisa (Anala), amantes de arte e de arquitectura moderna, tiveram a ideia de mandar construir uma nova casa. Para realizar este projecto, contactaram o arquitecto italiano Gio Ponti, um dos artistas mais influentes daquela época.
O arquitecto começou por recusar educadamente a proposta, mas acabou por decidir-se a aceitar o desafio. Foi à Venezuela e apaixonou-se para sempre pelo país. Estabeleceu uma intensa amizade com o casal Planchart, que foi o ponto de partida para uma paradigmática relação arquitecto/cliente.
A casa, baptizada Quinta El Cerrito ou Villa Planchart, é considerada pela crítica internacional como a obra-prima de Gio Ponti.
Neste documentário, apresentamos a história da construção desta casa, que nada mais é do que a história de uma grande amizade. Também é uma ocasião privilegiada de mostrar a casa ao pormenor, no seu esplendor. Autêntico prodígio de conservação, a casa não apenas está intacta, como também abriga no seu interior cada um dos objectos e móveis desenhados ou escolhidos por Ponti, além da lembrança da passagem de nomes ilustres da literatura, das artes e da política.

Caracas, during the Fifties, is one of the most prosperous metropolis in Latin America. The modernising impulse expresses itself in the construction of a new city, with spaces, shapes and styles that break with the past and represent the economic prosperity of the moment.
In this context, a couple from Caracas, Armando Planchart and his wife Ana Luisa (Anala), lovers of modern art and architecture, conceive the idea of building a new house for themselves. To accomplish this project, they decide to contact Italian architect Gio Ponti, one of the most influential artists of those years.
At first the architect gently declines the proposal, but later on he decides to accept the challenge. He travels to Venezuela and falls in love with the country forever. Since then an intense friendship is established with the Planchart couple, starting point for a paradigmatic architect-client relationship.
The house, named Quinta El Cerrito or Villa Planchart, is regarded as Gio Ponti's masterpiece by the international critique.
In this documentary we present the history of this house's construction, which is nothing more than the history of a great friendship. It is also a privileged occasion to show the house in its details' splendour. An authentic prodigy of conservation, the building is not just intact, but it also hosts in its interior each one of the objects and pieces of furniture designed or selected by Ponti, together with the memories of the transit of renowned names, related to the literary world, the arts and the politics.

Realização/Direction: Juan Andres Bello
Fotografia/Cinematography: Enrique Blein
Som/Sound: Stefano Gramito
Montagem/Editing:
Música/Music:
Produção/Production: Producciones Triana
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Don't Know We'll See
Lucy Massie Phenix
EUA 2008, 60'

Uma experiência cinematográfica que explora a poesia e o mistério do processo criativo, tal como se manifesta na vida e no trabalho da grande ceramista Karen Karnes, uma das pioneiras do Arts and Crafts Movement do século XX. Abordando o não saber e a descoberta, o filme mostra a evolução da forma, uma única peça de escultura e um corpo de trabalho que abarca uma vida. Convida-nos a entrar no processo criativo, oferece um festim aos olhos e aos ouvidos e deixa-nos atordoados com a beleza. Como disse um espectador, “este filme transforma uma pessoa à medida que ela o vê”.

A film experience that explores the poetry and mystery of the creative process as shown in the life and work of master clay artist, Karen Karnes, one of the pioneers of the 20th century craft movement. About not-knowing and discovery, the film shows the evolution of form, a single sculptural piece and a body of work over a lifetime. It is an invitation to enter the creative process, to give the eyes and ears a feast and to be astounded by beauty. As one viewer said, "this film changes you as you're watching it."

Realização/Direction: Lucy Massie Phenix
Fotografia/Cinematography: Alan Dater, Lucy Massie Phenix
Montagem/Editing: Lucy Massie Phenix, Marta Wohl
Produção/Production: Lucy Massie Phenix, Alan Dater, Lisa Merton
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Retrats (Portraits)
Quim Fuster e Pau Itarte
Espanha 2010, 54'

Depois de passar por vários hospitais psiquiátricos por sofrer de esquizofrenia, Lluís Gràcia descobriu que a pintura podia ser uma ferramenta para combater a sua doença. A partir de então, colaborou com diversas associações fazendo workshops de pintura com outros pacientes e compartilhando a sua experiência. Retrats a evolução pessoal e artística de oito pessoas que participaram de um destes workshops: o professor Lluís Gràcia e também Isabel, Pilar, Jordi, Cati, Carles, Antonia e Jaime.
Vemos de modo positivo a ilusão de um grupo de pessoas que procura uma saída para a sua doença e tenta ultrapassar a situação em que vive.
O workshop de pintura é o elemento central para alcançar esta recuperação. Aqui, a pintura é um caminho rumo à libertação, é uma metáfora da reconstrução pessoal. Queremos mostrar como a experiência do workshop muda estas personagens ao focalizar a sua evolução, quer esta seja positiva ou negativa.

After being in several psychiatric centers as a schizophrenic patient, Lluís Gràcia discovered that painting could be a tool to face his illness. From then on, he has cooperated with several associations by developing his painting workshops with other patients and sharing his experience.
"Retrats" monitors the personal and artistic evolution of eight people taking part in one of these workshops: the teacher Lluís Gràcia and Isabel, Pilar, Jordi, Cati, Carles, Antonia and Jaime.
It is a positive view that shows the illusion of a group of people to find a way out from their illness and to overcome their situation.
The painting workshop is the central core to achieve this recovering. This is painting as a path towards liberty, as a metaphor for personal reconstruction. We want to show how the workshop experience changes these characters by focusing on their evolution, whether it is positive or negative.

Realização/Direction: Quim Fuster e Pau Itarte
Fotografia/Cinematography: Marc Zumbach, Rodrigo Rezende
Som/Sound: Pablo Gregorio Venegas
Montagem/Editing: Pau Itarte
Música/Music: Josep Bordes
Produção/Production: Ninots pc
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Pretend Not To See Me
Katherine Knight
Canadá 2009, 49'

O que significa viver nos limites do país, mas no coração da arte?
Na sua espectacular quinta à beira-mar, na Terra Nova, no Canadá, a artista Colette Urban torna-se uma mistura de mulher e ursa, dança um tango amarrada a cabos de bungee, faz girar dispositivos cheios de nonsense e transforma-se numa paródia de bens de consumo. Elástica, determinada, lúcida e divertida, Colette abarca o poder de transformação da arte. Emerge como uma personalidade apaixonada, corajosa e visionária, que alcançou a excelência artística ao longo de um percurso denso e solitário.
“Sou tímida no mundo real. A performance e a ideia do disfarce deixam-me muito à vontade. Eu não sou eu. Sou outra pessoa quando assumo o papel de uma performer”.
Este é um filme sobre alguém que vive o seu sonho, com coragem e confiança em si mesmo. Sobre alguém que toma riscos e dá provas de coragem através de actos da imaginação. É uma espantosa representação das enigmáticas performances de Colette Urban, no cenário de áspera beleza rural da Terra Nova.

What does it mean to live on the edge of the country, but at the heart of art?
At her spectacular oceanfront farm in Newfoundland, Canada, artist Colette Urban becomes a half woman-half bear, dances a tango while strapped into bungee cords, wheels nonsensical record contraptions and turns herself into a parody of consumer goods. Resilient, determined, self aware and funny, Colette embraces the transformative power of art. She emerges as an empathetic, courageous and visionary character who has achieved artistic excellence through a focused and solitary journey.
"I am timid in the real world. Performance and this idea of disguise are a real comfort to me. I'm not me. I'm someone else once I am in that role of the performer."
This is a film about following a dream, having courage and believing in oneself. It's about embracing risk and sustaining courage through acts of the imagination. It's an astonishing representation of Colette Urban's enigmatic art performances set against the rugged beauty of rural Newfoundland

Realização/Direction: Katherine Knight
Fotografia/Cinematography: Marica Connolly
Som/Sound: Alan Geldart
Montagem/Editing: Anthony Seck
Música/Music: Sam Shalabi
Produção/Production: David Craig
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When The Themersons Walked Backward
Wiktoria Szymanska
Grã-Bretanha/França/Polónia 2010, 71'

Europeus carismáticos, livres e excêntricos: os Themerson foram pioneiros nos domínios do cinema de vanguarda, dos desenhos satíricos, da edição de livros, da escrita moderna, da pintura e do teatro.
Foram admirados por Russel, Schwitters e muitos outros, que durante décadas visitaram a sua mítica casa em Londres, mas são sobretudo pessoas muito especiais e corajosas, que permaneceram fiéis às suas ideias e ao seu modo de vida.
Ela era uma sonhadora, ele era um pensador. Ele fazia uma pergunta, ela era a resposta. Duas pessoas que um dia se conheceram e criaram a poesia da vida e inspiraram várias gerações de artistas europeus, entre os quais Roman Polanski.

Charismatic, free and eccentric Europeans: Themersons were pioneersin avant-garde cinema, satiric drawings, book making, modern writing, painting, and theatre.
Admired by Russell, Switters and many others who for decades visited the mythical house in London but most importantly very special and courageous people who remained faithful to their believes and way of life.
She was a dreamer, he was a thinker. He had a question, she was the answer. Two people, once met and created the poetry of life, inspired generations of artists in Europe, Roman Polanski was one of them.

Realização/Direction: Wiktoria Szymanska
Fotografia/Cinematography: Wojciech Staron
Montagem/Editing: Ewa Lenkiewicz
Música/Music: Felix Rigg, Pascale Comelade
Produção/Production: Wiktoria Szymanska, Farid Rezkellah

 

LIVING WITH UNCERTAINTIES

Possibly, the title of Lucy Massie Phenyx' film "Don't Know We'll See" is the best to describe the powerful themes which films on art deal with. The this year's film selection - as a whole meant as an artistic statement by itself - will lead you from various, most contradictionary directions into this uncertain and exciting construction area, lets you take place and invites you to meet unusual world views, unexpected behaviours, forgotten ideas, risky experiments, inspiring ideas, strange thoughts, by discovering new and parallel worlds. By experiencing those loose, non-fixed, ever changing grounds on which artists are based, and seeing how one can live and create within this, might then help to produce more strength for living with those uncertainties of daily and professional life which one has learned to rather commit them to insurance companies, experts or leaders...

Starting from the shocking image when domains of human work have been taken over by machines as it can be seen in "HandMaid" by the South Korean Mo Hyun-shin, all following films though will proof that artistic work is not to calculate, therefore not to be substituted by technology. As the Polnish director Krzysztof Olszowiec demonstrates in "Good Morning", it seems even impossible to understand an artist's behaviour or action by mere observation, have we watched a human or an alien in the end? Similar thoughts can arise when we are allowed to enter the unique universes of artists such as the Portuguese Ana Jotta in "JOTTA: A minha maladresse é uma forma de delicatesse (JOTTA: My maladresse is a way of delicatesse)" by Salomé Lamas and Francisco Moreira or the Canadian painter Sullivan in "Sullivan" by Françoise Dugré. Some artists give us the chance to understand better through their own explanations, as Roca Bon beautifully does in "Roca Bon: la geometría del alma (Roca Bon: Geometry of the Soul)" by Spanish director Karlos Alastruey, the Polnish born sculptor Selinger in "Shelomo Selinger - Memoire de Pierre" by Canadian director Alain Bellaiche or the Portuguese artist Ângelo de Sousa in "Ângelo de Sousa: Tudo O Que Sou Capaz (Ângelo de Sousa: All I Can)" by Jorge Silva Melo.

Sometimes the connection between the artist portrayed and the film maker is so intense that the film maker succeeds in revealing aspects and reactions of the artists which otherwise no anonymous viewer would have been able to experience. This happens in the adventurous film about adventurous Botero in "Botero - Born in Medellin" by Peter Schamoni, in the aesthetically wonderful film about the aesthetically beautiful sculptors of Israeli artist Zvi Lachmann in "RAK BE'AYIN A'HAT (One Eye Wide Open)" by Aner Preminger and Ami Drozd, with the tenderly observing, carefully respecting, yet always discovering film director Iria Arriaga about "Jorge de Oliveira - Matéria de Pintura (Jorge de Oliveira - Painting Matter)", or when the formal aspects of the film match the aesthetics of the art work as it happens in "Sem Título (Without Title)" by Ana Direito.

Also the way how art is practised, shows a lot of the artist's approach - for example in the experiment "Mercado do Bolhão: uma experiência fotográfica para uma Imagem de Autoria Colectiva, (Bolhão Market: a photographic experiment for an Image of Collective Authorship)" by Cristina Braga, in "Dissonanz" by Fumiko Matsuyama, and "A Conversation With Myself" when Kate Pelling really performs the creation of a video performance leaving us in the end with her doubts... With the film about his performance "Thistles Of Sazak", Hakan Akçura even doesn't give us any chance to escape - here we are to follow his heavy work for a welcome performance under the hot sun of Turkey, it is tangible.

Human life is absolutely unthinkable without art, and here we'll find some examples of lives where both, art and life, have been unseparately intertwined: the Venezuelan director Juan Andrea Bello tells us about a couple from Caracas, Armando Planchart and his wife Ana Luisa (Anala), lovers of modern art and architecture, who fulfilled their adventurous life project together with the Italian architect Gio Ponti finally in a house named "El Cerrito". On the contrary, the film "Le Cabanon par Le Corbusier" by Rax Rinnekangas does show the vision for the life of this famous architect - but surely you will be quite surprised when seeing the result...For the eccentric and creative genius Trimpin in "Trimpin: The Sound Of Invention" who completely detests the commercial art world yet is cherished by artists and musicians from all over the world, director Peter Esmonde succeeds to overwhelm us with introducing us to those splendid creations invented by such an enlightened character. In "Pelas sombras (Through Shadows)", Catarina Mourão shows how 80 years of life or art are indistinguishable when the art of Lourdes Castro became similar to her gestures of daily life or vice versa. And after watching "When The Themersons Walked Backward", in the inspiring film by Wiktoria Szymanska, we will certainly understand that the grade of poetry in our life is depending just on ourselves...

Art in relation to society has various facets - a special one is shown in the touching film "Or Les Murs (Still Times)" of Julien Sallé who tells the story of the composer Thierry Machuel who conducts writisng workshops in the penitentiary of Clairvaux in Champagne Ardenne. The texts of the voluntary inmates he will later use for his compositions but before, there are imprisoned men living, creating and feeling... Reza Haeri detects with his film "All Restrictions End" the secret and/or official code of clothes fashion design in Iranian history which once more makes evident that art has more influence than some people like to notice. In "Mies-en-scène", João O. also tries to unfold a truth which he thinks that lies behind the German Pavilion designed by Mies van der Rohe for the Barcelona International Exposition in 1929 and goes on a daring discovery tour whereas Masahiko Adachi in his short animation film "Flesh Color" simply reveals the beauty of Japanese tattoo as does María Trénor with "Exlibris"when creating a visual poem about books as pieces of art. Simon Jackson sees his two short films on artists and musicians, "Landlocked" and "Buddha", as "comment on creating art from what is around you, rather than believing it is only important if huge steps are taken and distances covered." Yes, and that in our surrounding everything is there just to be discovered, this the videoflaneur Konstantinos-Antonios Goutos demonstrates in "After Caspar David Friedrich" - this time he shows us how art begins - with looking and wonder.

If, as I stated in the beginning, uncertainty, caused by entering unknown areas, is the ground for artistic creation, then it is obvious that various obstacles are to defeat, too. As Inuit artist Shuvinai Ashoona says, "Everything's a ghost noise... It's good to listen to them but it's not good to learn it" - her way to deal with this can be seen in the sensitive film "Ghost Noise" by Marcia Connolly. At the same time art itself helps to a stability inside this uncertainty, let it be as a protector like artist Colette Urban uses it by asking us "Pretend Not To See Me" in the film of Katherine Knight, or, to be experienced in the extraordinary project with the charismatic Lluís Gràcia who in his painting workshops for schizophrenic patients makes miracles possible - as for the audience of this highly inspiring film "Retras (Portraits)" from Quim Fuster and Pau Itarte, he reveals some surprising insights into human psychology. How much psychological factors are influencing, maybe even inhibiting the art viewers in their reception, is very personally and deeply told in "Ein Weites Feld (Expansive Grounds)" by the German film maker Gerburg Rohde-Dahl who involved her personal story and that of her family when trying to approach the massively discussed "Berlin Memorial to the Murdered Jews of Europe". Those who think that this is a mere German issue, yet will encounter important thoughts about the sense, possibilities and meanings for memorials in general, and here obviously every citizen in the world is somehow concerned. Nevertheless,with absolute certainty can be said that what is happening in the "Power Game", created by Liliane Lijn, nobody can escape anymore. Here each one plays human society, your convictions are getting transparent - here is your mirror.

Don't know we'll see.

Rajele Jain, Oktober 2010