PRÉMIO DE CINEMA para FILMES SOBRE ARTE - PORTUGAL 2008

FILM AWARD for FILMS ON ART - PORTUGAL 2008

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2008

COMUNICADO DE IMPRENSA
Outubro de 2008
PRÉMIO TEMPS D'IMAGES para FILMES SOBRE ARTE

Em 2008, o Festival Temps d’Images Portugal anunciou uma nova secção: uma competição para o PRÉMIO TEMPS D'IMAGES para filmes sobre arte.

Filmes sobre arte ou sobre artistas são transdisciplinares pela própria natureza, já que o realizador tem de confrontar o seu filme com o trabalho do artista que quer mostrar. Os filmes de arte também são uma maneira de levar enfoques artísticos, modos de pensar e de viver a um público que não está essencialmente ligado às artes e que, por isso, pode ter dificuldades em perceber obras ou artistas que costumam ser considerados inatingíveis numa conversa "normal".

Com esta competição de filmes, o Temps d’Images tem a intenção de promover este enfoque particular sobre a vida, a sociedade e a responsabilidade e ao mesmo tempo estimular o público a ter ideias diferentes, criativas e ousadas.

Dos filmes que concorreram à pré-selecção, vindos de mais de vinte e cinco países em todos os continentes, cerca de 22 foram seleccionados. Todos são de elevada qualidade e usam formas tradicionais ou contemporâneas: há filmes em homenagem a artistas, ensaios cinematográficos, observações a longo termo, exemplos de pesquisa histórica e filmes experimentais, que são eles próprios obras de arte, devido à maneira como são filmados ou montados.

Além de filme como Pintura Habitada, da realizadore Portugues Joana Ascensão sobre Helena Almeida, ou Sally Gross - The Pleasure of Stillness os realizadores que escolheram com sensibilidade a linguagem cinematográfica e dramatúrgica que utilizara nos seus filmes em função da linguagem do artista que retratara, Temps d’Images vai mostrar filmes em que o realizador traz ao de cima o enfoque pessoal e único de um artista em relação à sua vida, à sua arte e ao seu trabalho, depois de um grande esforço para vencer a hostilidade, a timidez ou a desconfiança que sentia em relação ao realizador: é o caso de Worldstar, da teuto-checa Natâsa von Kopp sobre o fotógrafo checo Miroslav Tichy, que ficou mundialmente célebre numa idade tão avançada que a sua própria celebridade já nem sequer o interessa; do filme israelita Rosh Geranium de Amit Goren, sobre o carismático Raffi Lavie, que nos anos 60 foi um pioneiro na nova arte em Israel; ou ainda de My Father’s Studio, em que a realizadora Jennifer Alleyn, depois da morte do seu pai, o artista Edmund Alleyn, descobre um universo artístico rico e único de que nunca suspeitara.

Há filmes que examinam a urgência do artista em criar obras de arte não comerciais, pelas quais geralmente não é pago ou é muito mal pago em relação ao tempo e ao empenho que pôs na obra; filmes que investigam por que há pessoas que escolhem a difícil vida do artista marginal e como fazem frente às consequências desta decisão; filmes como El Último Paisajista, do espanhol Gonzalo Ballester, Portrait of the Artist as a Middle-Aged Man, da britânica Fiona Collins, Still Life With Wife, de estónio Kersti Uibo, Dichosos los que Sin Ver Crean, do espanhol Sérgio Blanco ou Concrete, dos islandeses Markús Thór Andrésson e Ragnheidur Gestsdóttir, no qual vemos artistas célebres, como Björk ou Roni Horn.

Alguns filmes reflectem as dificuldades, as reflexões ou a atracção do realizador ao tentar estabelecer um diálogo com um artista ou com uma obra de arte, como por exemplo You Wanted to Make a Film? (At ratzit laasot seret?) do israelita Gali Weintraub, Lost in Art - Looking for Wittgenstein, de João Louro e Luís Alves de Matos, Brancusi, de Alexandre Martins e Nuno Miguel ou A Lontra, de Eduardo Abrantes, todos portugueses.

O modo como a vida e a sociedade influenciam as obras de arte pode ser visto em Watercolor’s Trace do ucraniano Vyacheslav Propopenko, que nos leva à Rússia de inícios do século XIX e ao pintor Maximilian Voloshyn; Outside, do luso-britânico Sérgio Cruz, que observou a relação entre a arte e a vida na China; Madrid, la Sombra de un Sueño, do mexicano Alejandro Andrade Pease, que tenta retraçar a movida que se seguiu à morte de Franco e da qual emergiram artistas como Pedro Almodóvar ou Ouka Leele, sem nos esquecermos do filme belga Luc de Heusch - Wild Thinking, de Karine de Villers, sobre um cineasta inacreditavelmente fascinante e de mente independente.

Os espectadores que acabem por se sentir estimulados ao ponto de se porem a pensar na sua própria criatividade e em novos projectos, não deveriam perder filmes como Miraslava, do canadiano Roberto Santaguida, que já tinha concebido o seu filme, mas mudou de planos depois de ser confrontado à realidade ou Everyday Life’s Changing Moods, da croata Azra Svedruzic, que tem a certeza de que vai ter uma ideia, mas tem primeiro de despachar problemas quotidianos…

Ou se os espectadores pensarem que, afinal, já são capazes de reconhecer um verdadeiro artista e perceber o seu trabalho, devem saber que muitas surpresas ainda os esperam, como se vê em Pietà do vídeo-flâneur grego Konstantinos-Antonios Goutos, que encontrou por acaso uma pietà na rua ou em Relevé, dos alemães Sebastian Natto, Denis Truembach e Bastian Caspar, cujo desenlace não podemos absolutamente contar!

Rajele Jain
Outubro de 2008

 
PROGRAMA 2008 no Museu Berardo - Belém - Portugal